sábado, 23 de outubro de 2021

LIVRO DA SABEDORIA.

JULGAMENTO DAS TREVAS. 

17 1- Teus julgamentos são grandiosos e inexplicáveis, por isso as almas indóceis extraviaram-se. 

2- Os perversos pensavam estar controlando a nação santa, enquanto jaziam prisioneiros das trevas, no calabouço de uma longa noite, reclusos sob seus tetos, prófugos da eterna providência.  

3- Acreditavam passar despercebidos, com seus pecados encobertos sob o espesso véu do esquecimento, mas estavam dispersos no cúmulo do atormento, sobressaltados por alucinações.  

4- Pois nem o lugar que retinha-os salvaguardava-os do medo; retumbavam ao seu redor, ruídos aterradores e aparecia-lhes tétricos fantasmas de lúgubres rostos. 

5- Não havia fogo bastante para iluminá-los, nem os luzeiros fulgurantes dos astros conseguiam clarear aquela noite sinistra. 

6- Para eles brilhava somente uma massa de fogo que ardis por si só, e apavorados por aquela aparição que não viam, a visão parecia-lhes mais que macabra. 

7- Os truques da magia haviam fracassado e sua ostentação de prudência sofria vergonhosa ruína, 

8- pois os que comprometiam-se a expulsar da alma doente terrores e sobressaltos, padeciam eles mesmos um pânico ridículo. 

9- Embora nada inquietante metesse-lhes medo, amedrontados pela passagem de animais e pelo sibilo de répteis, 

10- sucumbiam tremendo, negando-se a olhar o ar inevitável.  

                          

                         O capítulo "17" refere-se  a Nona Praga, ou seja: As trevas. Porém, não é somente a ausência do Astro rei que causaria os maiores tormentos, àqueles que passaram por esta terrível situação; é justamente a sintonia psíquico-espiritual daquelas pessoas é que provocaram-lhes os maiores sofrimentos. É claro que um ambiente onde não haja - como disse o autor - não havia fogo bastante para clarear a escuridão e muito menos estrelas no céu, para que tivessem uma maior segurança. 

                          Junte-se a isto, o estado de espírito de cada um deles, a consciência de cada um, julgando-os implacavelmente, por suas atitudes menos dignas. Negavam até mesmo a olhar o ar; imaginem se tinham coragem para mirar, no espelho da alma! Porque não queriam ver a própria face deformada por suas concupiscências. 

                          Em suas vidas mesquinhas sedentas pela ambição do poder, estavam tranquilos, pois pensavam que controlavam tudo; mau sabiam que eram escravos e teleguiados por entidades diabólicas, mantendo-os sob invisíveis grilhões. Estavam provando da própria escuridão que eles mesmos procuraram; algo inusitado para aquelas criaturas acostumadas a serem obedecidas em quase tudo; agora sucumbiam tremendo de pavor. 

Fim da primeira parte. 

Continua. 

Muita Paz.


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O QUE A CIÊNCIA ATUAL SABE SOBRE OS CANANEUS. (P - 3)

 1. Engenharia de Construção e Urbanismo.                          Os cananeus, foram mestres em adaptar suas cidades ao terreno montanhoso ...