A Luta pela Evolução - Síntese Filosófico-Espiritual da Ascenção da Consciência.
Entre o questionamento da alma em desenvolvimento, e as respostas intuitivas do Espírito em ascensão, trava-se - desde os primórdios da humanidade - uma luta silenciosa e constante. Esse conflito íntimo, que opõe os impulsos instintivos herdados do passado animal à nascente razão moral, marca a transição do Princípio Inteligente, rumo à condição de Espírito consciente de si.
No estágio primitivo de humanidade - conforme descrito no Livro dos Espíritos (Questão: "607" a "610") - o homem encontrava-se ainda muito próximo de seus antecedentes animais, governados por apetites instintivos e necessidades fisiológicas. Escondia-se em grutas e dominavam os elementos com força bruta e agia com violência para garantir a própria sobrevivência. Nesse período, a tutela da espiritualidade superior, fazia-se presente, como pastores invisíveis guiando o rebanho incipiente.
Contudo, a presença do amor - inicialmente em sua forma rudimentar e egoísta, voltada à defesa da prole - tornou-se elemento catalisador, para o surgimento das primeiras noções de vínculo afetivo e responsável. Essa emoção íntima, ainda mesclada ao instinto de preservação, foi o embrião da razão que, com o tempo, impulsionaria o despertar da consciência moral.
Segundo a revelação de André Luiz; no livro: Evolução em dois Mundos, (pgs.77 e 78), essa transição não se deu de forma abrupta, mas por sucessivas experiências reencarnatórias, nas quais o Espírito, ainda atado aos automatismos do instinto, foi sendo gradualmente estimulado pelas leis de afinidade e progresso. A herança da animalidade, ainda pesava sobre os centros de força do perispírito, influenciando seus impulsos, desejos e sensações. No entanto, o campo da intuição - expressão superior do Espírito - começava a manifestar-se, convidando o ser à superação.
A partir dessa etapa, o homem já não podia mais guiar-se unicamente pela excitação orgânica ou pelos apelos da natureza. Desvinculado progressivamente da orientação direta das inteligências espirituais tutelares, passa a experimentar a liberdade e, com ela, a solidão; diante da imensidão do Universo. Como afirmou Kardec em sua Gênesis:
"A liberdade de ação é condição indispensável ao progresso moral e espiritual" (Gênesis de Kardec, III, item 10)
Nesse ponto, o ser humano começa a pressentir a existência de uma causa Superior, oculta na harmonia dos astros e nos ciclos da vida. O Sol, passa a SIMBOLIZAR-LHE A PRESENÇA DO CRIADOR; E A NOITE - COM SEUS MISTÉRIOS E SILÊNCIOS - A DESPERTAR-LHE O TEMOR E A FANTASIA. A dualidade entre trevas e luz, entre o medo e a esperança, inaugura no íntimo da alma o combate invisível, entre o passado instintivo e o futuro espiritual.
Assim nasce o senso moral, que inicia fragmentado, mas fortalece com as exigências da vida em grupo. A ideia de lar e de FAMÍLIA, consolida-se como EXPERIÊNCIA EDUCATIVA E TRANSFORMADORA. O homem primitivo, que antes abraçava seus filhos apenas por instinto, passa agora a defendê-lo com enternecimento consciente. Ao idealizar a proteção do lar, elabora as bases da cooperação, da partilha e da ordem social.
A partir desse ponto, já não mais lhe é lícito obedecer cegamente às leis biológicas. Ao invés de apenas sobreviver, o homem necessita conviver. Surge então, a exigência do trabalho organizado, da moradia segura, da agricultura e da troca. Tarefas que requerem raciocínio, planejamento e responsabilidade.
Essa etapa, marca um divisor de águas na HISTÓRIA DO ESPÍRITO. Não mais um ser instintivo guiado por forças externas, mas um agente moral, chamado a transformar o mundo e a si mesmo. Como nos lembra, o "Livro dos Espíritos" - Allan Kardec: (Questão 115)
"Todos os Espíritos são criados simples e ignorantes, mas com a destinação inevitável de progredir pela experiência e pelo esforço pessoal".
Continua.