A Blasfêmia Contra o Espírito - Uma Transgressão da Essência Espiritual.
"Todo erro e má palavra será relevada aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito, não será relevada". (Mateus, 12:31)
Essa afirmação de Jesus, talvez uma das mais contundentes de seu ministério terreno, permanece como um dos pontos mais profundos e mal compreendidos, da revelação espiritual.
Declarando o Mestre - que toda blasfêmia contra o Filho do homem será perdoada - mas não aquela dirigida ao Espírito, Jesus revela-nos um princípio cósmico que transcende os erros passageiros da personalidade reencarnada. Os equívocos humanos, advindos da ignorância, do ego inflamado ou das paixões transitórias, são parte do aprendizado das reencarnações. Eles pertencem aos planos da forma, ao campo da experiência da alma, em sua jornada evolutiva. Por isso, serão relegados - não ignorados, mas sim, compreendidos como parte de um processo maior de amadurecimento.
Entretanto, quando as más ações, partem da essência espiritual, profundamente enraizadas na intenção deliberada e consciente de ferir, enganar, destruir ou corromper a luz no outro; tais atitudes transcendem o ser humano. Tornando-se crimes contra o Espírito Santo; isto é, a essência do Espírito. Tais atitudes, provocam marcas no psiquismo e no espírito duradouras, que não apenas influenciam negativamente o próprio Espírito infrator, como também reverberam nas reencarnações, daqueles que foram por eles prejudicados.
É nesse sentido que Jesus afirmou, que tais desvios - não serão relevados - nem nesse ciclo, nem no vindouro. A linguagem simbólica de: "Não ser relevada", não aponta para uma condenação eterna; mas sim, para uma gravidade de consequências natural de tais atos; cujo resgate, exigirá enfrentamento profundo e árduo, ao longo de ciclos reencarnatórios. "Pagará até o último ceitil"; disse o Mestre, referindo-se ao mecanismo justo e implacável, da Lei de Causa e Efeito.
Esse tipo de mal, não nasce apenas da ignorância, mas de um pacto íntimo com forças da mentira e da perversão; que é descrito como sintonia, com o "pai da mentira". É nesse estágio, que o Espírito, por livre arbítrio, negando a própria luz, investe contra essa luz.
Isso tudo, serve de alerta e também como um convite ao discernimento. A prática do bem, exige mais que a intenção; exige consciência, vigilância e profunda conexão, com os princípios Divinos. Afinal, como ensinou Paulo: "A CARIDADE JAMAIS ACABA" (I Coríntios, 13: 1-13)
E é por meio da caridade constante, que a alma imuniza-se contra tais desvios fatais. Pois, aquele que vive pela verdade e pelo bem, não pode blasfemar contra o Espírito Santo; e sim, viver em comunhão com ele.
Este entendimento, também completa a reflexão sobre o Ego-Adâmico; que, ao deixar-se dominar pelas sombras do subconsciente, torna-se instrumento de desequilíbrio e do mal. A verdadeira iluminação começa quando o ego curva-se à consciência do Espírito. Assim, a blasfêmia contra o Espírito Santo, não é uma falha qualquer; é a recusa da luz por aquele que a conheceu.
Continua.
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