O Perdão como Autoconhecimento e Cura.
O ensinamento de Jesus sobre o perdão, não é apenas uma orientação moral, mas uma profunda chave de autoconhecimento e libertação espiritual. Ao responder a Pedro - "não te digo até sete, mas setenta vezes sete" - o Mestre indicava a constância do perdão como uma prática que deve ser vivida em todos os momentos e níveis de existência.
Essa resposta, também carrega uma sutil referência espiritual: Ao evocar o número "setenta vezes sete", Jesus rebatia uma antiga herança, de violência e vingança, expressa na fala de Lamec; (Gênesis, 4:23-24) descendente de Cain.
Lamec dissera: "Se Cain, deve ser vingado sete vezes, Lamec será vingado, setenta e sete vezes".
Jesus, invertendo o princípio de vingança, declara o princípio do perdão incondicional. O verdadeiro perdão, não é uma ação exterior; mas um processo de reconhecimento interior; porém, aquele que perdoa, começa a compreender, suas próprias sombras e fragilidades. Aceitando, a humanidade do outro e de si mesmo. Como bem escreveu Pedro em sua EPÍSTOLA: (I Pedro, 4:8)
"O amor cobre a multidão de pecados".
Essa cobertura de amor, não é uma negação da dor, mas uma elevação da consciência, que vê além das falhas, reconhecendo o potencial divino em cada ser humano. Quem perdoa liberta-se dos grilhões emocionais e psíquicos. Quem recusa a perdoar, permanece atado ao passado, alimentando mágoas, que adoecem o corpo e o Espírito.
O perdão é, portanto, um ato de cura - não apenas do outro, mas sobretudo de si. Através dele, o Espírito reencontra-se com a sua essência, reativando seu fluxo de luz interior. O auto perdão, por sua vez, é a condição para a verdadeira caridade. Pois quem não se compreende e não acolhe-se, dificilmente poderá ser instrumento de cura e consolo. Assim, o perdão revela-se como um dos mais altos, graus de autoconhecimento espiritual, e um dos mais poderosos remédios da alma.
Continua.
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