Nascimento da Responsabilidade - e o Homem Primitivo.
No alvorecer da humanidade terrestre, quando os Espíritos deportados - de mundos mais antigos - despertaram ao reencarnar em corpos primitivos, sob os céus ainda turvos da terra, em sua idade relativamente jovem. Algo novo começa a pulsar no íntimo da alma: O sentimento de responsabilidade.
A conexão com o Criador, embora ainda tênue, ressoava silenciosamente nos recessos da consciência, desses Espíritos exilados. Era o eco longínquo das Leis Divinas - que haviam aprendido outrora e que, agora, como lampejos de um Sol interior, reascendem-lhe a memória espiritual. Assim, surgiram os primeiros sinais da religiosidade - não ainda como sistemas formais de fé, mas como um anseio de reencontro, uma busca inconsciente, pelo elo perdido com a Fonte Maior.
Desse impulso profundo, brotavam as primeiras perguntas: De onde viemos? Por que sofremos? O que há após a morte? Essas indagações ainda embrionárias, alimentariam eras no futuro, o pensamento filosófico. E os erros e acertos das respostas rudimentares, abririam caminho à experimentação; raiz longínqua da ciência.
O grupamento instintivo dos seres, ditado pela necessidade e proteção e sobrevivência, daria origem à vida em comunidade. Da convivência social floresceu o amor familiar - ainda carregado de egoísmo protetor - mas já prenunciando os vínculos afetivos que formariam as bases da moralidade e base social.
Com o tempo, o Espírito, pouco a pouco, desenvolveu preferências: O conforto sobre o desconforto, o afeto sobre o medo, a beleza sobre o "caos" aparente. O cuidado com a aparência, sobretudo nas mulheres, evidenciava a emergência do senso estético. O escambo rudimentar originou o comércio que, com o tempo, levou às primeiras manufaturas - semente distante da futura revolução industrial. As artes, tanto cênicas quanto plásticas, a ciência, surgira, como expressão da saudade e belo, que outrora conviveram.
E, era exatamente esse sentimento - saudade - quem, ao contemplarem o poente dourado em tardes calmas, invadia-lhes a alma, uma dor inexplicável. Essa nostalgia profunda, incompreensível à consciência limitada daquele corpo primitivo, era a lembrança intuitiva dos lares cósmicos perdidos, das Estrelas Mães, que haviam deixado para trás.
A morte, por sua vez, provocava-lhes horror. Mas esse temor não era apenas instintivo! Era também espiritual. A alma, intuía a transitoriedade da vida corpórea e mesmo sem compreender plenamente o que se passava, sofria com a separação, reconhecendo - ainda que inconscientemente - que a existência física era apenas uma estação.
E, então, algo sublime emergiu desse cenário rude e desolado; A LÁGRIMA! A lágrima, não apenas como resposta à dor, mas como manifestação da alma sensível em luta, tentando libertar-se das AMARRAS DA RUDEZA.
Assim, entre as emoções da saudade, o anseio pelo Divino, o Temor da morte e o amor protetor pela prole, o Espírito começa a ver-se responsável, por si, por sua FAMÍLIA, pelo seu destino. A centelha da moralidade, começava a ARDER. Não mais poderia apenas viver reagindo aos instintos - agora havia um "chamado" interior, convidando-o a ajustar-se à HARMONIA CÓSMICA.
Foi nesse momento íntimo, silencioso e grandioso, QUE NASCEU O PRINCÍPIO DA RESPONSABILIDADE. O homem primitivo, reconhecendo-se ÍNFIMO DIANTE DO UNIVERSO, entendeu que, DIANTE DE DEUS, PODERIA CONTAR - ACIMA DE TUDO - CONSIGO MESMO. E, ASSSIM, COMEÇA SUA VERDADEIRA JORNADA DE RETORNO AO PAI.
CONTINUA!!!
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