3. A "Ciência" dos escribas em Ugarit.
Ugarit, funcionava como um centro cultural. Os escribas, não apenas escreviam mitos, mas possuíam uma metodologia organizada.
. Listas Léxicas:
Encontraram-se tábuas, com colunas paralelas, traduzindo termos de quatro línguas diferentes. (Sumério, Acadiano, Hurrita, Ugarítico) Isso, é considerado um dos primeiros esforços de linguística comparada, da história humana.
. Manuais de medicina veterinária:
Foram descobertos textos específicos, sobre o tratamento de equinos doentes (hipiatria) mostrando um conhecimento prático, de anatomia e farmacologia básica.
. Adivinhação e Exame de Fígados:
Embora possa parecer superstição, a hepatoscopia - estudo do fígado de animais - exigia um conhecimento anatômico detalhado e registro sistemático de anomalias; o que preparou terreno, para observações biológicas, mais rigorosas.
4. O Alfabeto de Ugarit: Engenharia da Linguagem.
Diferente do alfabeto fenício posterior, que possuía 22 letras, o de Ugarit, utilizava trinta sinais cuneiformes. Eles aplicavam uma lógica simplificada; em vez de centenas de ideogramas complexos, da Mesopotâmia, reduziram tudo a sons. Isso, democratizou o conhecimento, permitindo que o registro de estoques, leis e astronomia, não fosse restrito a uma casta minúscula de sacerdotes.
Curiosidade: A música Cananeia.
Em Ugarit, foi encontrada a partitura musical, mais antiga do mundo. O Hino a "Nikal".
Oficialmente, conhecido como Hino Hurrita n.6, é uma das descobertas mais fascinantes da arqueologia musical. Ele nos permite ouvir, literalmente, um eco de 3.400 anos atrás. É uma ode a Nikal; deusa dos pomares e da fertilidade - seu nome significa "Grande Senhora Frutífera" - Na letra, uma mulher que não consegue engravidar, oferece sacrifícios e súplicas à deusa; esperando que sua "oferta de sementes", seja aceita.
O que torna a Tabuleta n.6 única, é que ela, não traz apenas a letra, mas também instruções musicais. Pesquisadores identificaram que a música, utilizava uma escala diatônica de sete notas; semelhante à nossa escala maior. As instruções indicam que a canção, deveria ser acompanhada por uma "Lira de nove cordas".
Como não havia "partitura" - como conhecemos hoje - as tabuletas listam intervalos e números de cordas. Isso gera diferentes interpretações acadêmicas, sobre o ritmo e a melodia.
Embora existam várias reconstruções, a mais famosa é a de Anne Draffkorn Kilmer; que em 1972, conseguiu decifrar a teoria musical por trás dos símbolos. O som é solene, com intervalos que podem soar estranhamente familiares e, ao mesmo tempo, misterioso aos ouvidos atuais.
Isso, prova que, a teoria musical - que muitos atribuiam apenas aos gregos - já estava sendo sistematizada e escrita, no Oriente Próximo, a quase mil anos antes de Pitágoras.
Também na engenharia dos cananeus, influenciou diretamente a construção do primeiro templo de Jerusalém; já que orei Salomão, contratou arquitetos de Tiro. (Fenícios-cananeus)
1. Monopólio de Alta Tecnologia.
Os cananeus, eram os detentores de tecnologia de ponta, da idade do Bronze. Para um hebreu das colinas - geralmente agricultores de subsistência - a cultura cananeia, representava o "progresso".
Arquitetura:
Para construção de um templo ou palácio, como o primeiro templo, precisava-se de arquitetos e mestres de obra; cananeus/fenícios. Eles, traziam a estética e a cosmologia deles; em cada pedra esculpida.
O templo de Salomão (primeiro templo) - como é descrito no Antigo Testamento - é considerado pelos arqueólogos e historiadores, portador de influências, do estilo arquitetônico, cananeu e fenício; da idade do ferro. Imagine você! Um hebreu - recém-saído de quarenta anos vagando no deserto - e quase nenhum conhecimento prático daquilo que fora principal - para uma sobrevivência digna; visto que, ficaram quatrocentos anos, como escravos no Egito.
Imaginemos agora, este mesmo povo, tendo contato, com tecnologias, que mesmo no Egito, não existiam? Tecnologia para dominar e cultivar a terra; para moldar os metais - principalmente o ferro - eles imaginaram que, não adotando tudo que fosse cananeu, jamais poderiam vencer os seus pares cananeus.
Isso tudo, foi amplamente utilizado pelos cananeus, para dominar os seus próprios dominadores. (Hebreus)
Influência cananeia/fenícia:
No Antigo Testamento, é relatado que Salomão contratou Hirão; rei de Tiro (Fenícia), para fornecer materiais - tais como cedro do Líbano - e artesãos habilidosos, para a construção do templo. Essa parceria trouxe técnicas e designs cananeus, para Jerusalém.
Paralelos Estruturais:
Templos encontrados na Síria e na região turca, como em "Ain Dara e Tell Ta'yinat"; construídos na mesma época, mostram uma planta baixa, quase idêntica ao Templo de Salomão; um vestíbulo de entrada (ulam), um salão principal (heikhal) e um santuário interno/Santo dos Santos. (debir)
Elementos Distintivos:
A prresença de duas colunas, na entrada, denominada Jachin e Boaz; na narrativa bíblica, é um elemento comum na arquitetura religiosa fenícia.
Assim, o Primeiro Templo, é compreendido como uma adaptação, da tradição arquitetônica local - cananeia-fenícia - para o culto ao Deus Verdadeiro de Israel; incorporando elementos de luxo e engenharia daqueles tempos antigos.
Metalurgia:
O domínio do bronze e depois do ferro, estava concentrado nas cidades-estado, cananeias e filisteias. Isso, criava uma dependência econômica e tecnológica direta, para os hebreus.
Continua.
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