O Silêncio dos Autênticos e o Grito dos Vazios.
Vivemos em uma época estranha e inquietante. Os olhos não voltam para dentro, mas perdem-se nas telas que brilham incessantemente. As mentes não pensam e sim, reagem. Os corações não sentem, replicam. Já não vive-se, apenas consomem; e o que é consumido, em grande quantidade são resíduos! Lixos mentais, físicos e virtuais que alimentam um vazio crescente.
Na era da hiperconexão, onde tudo está ao alcance de um clique, as pessoas foram afastadas de si mesmas. O pensamento reflexivo tornou-se subversivo. O silêncio - antes o portal da interiorização - tornou-se um desconforto. A contemplação é tratada como perda de tempo. O saber - que exige esforço e amadurecimento - foi substituído por opiniões descartáveis e respostas fabricadas por algoritmos, que alimentam a alienação coletiva.
Hoje - são seguidos com fervor - aqueles que gritam mais alto; os incautos que disfarçam a ignorância, com um carisma superficial. Mentiras virais geram mais engajamento que verdades profundas. Os autênticos - aqueles que ousam criar com a psique e trilhar os caminhos da essência - são vistos com desconfiança.
Não é o violento que mais causa apreensão e incomoda o sistema e adormecimento coletivo; o verdadeiro perigo é aquele que causa o despertamento espiritual, para as verdades eternas. Este, o "deus" antropomórfico, não tolera. Por isso, o pensar, tornou-se ofensivo e as reflexões, um ato de rebeldia. Estudar - nos tempos atuais - é uma atividade obsoleta, pois tudo "já vem pronto"; triturado em vídeos curtos e ideias mastigadas e incapazes de formular qualquer pensamento crítico.
O que é viral hoje, não edifica, não eleva e não inspira. Ao contrário! Degrada, anestesia, automatiza. As emoções foram terceirizadas; convertidas em métricas. O valor de um gesto, não está mais no amor que move, mas nos "likes" que validam. O ideal desapareceu! Em seu lugar - temos canais de entretenimento mórbido - que espalham mentiras, terror e sensacionalismo; servidos como banquete aos Espíritos incautos e famintos de sentidos.
Tudo é passageiro, raso e monótono. Vive-se na superfície de tudo, com medo de mergulhar naquilo que realmente é importante. A alma - foi trocada por avatares - a consciência, por impulsos. O tempo - esse sagrado companheiro da evolução - está sendo diluído em distrações que roubam a oportunidade de crescimento.
Mas ainda existem aqueles que caminham em silêncio e construindo-se por dentro. Que recusam-se a vender sua essência, pelo preço da aceitação vazia. Aqueles que ainda recordam-se do significado, de ser humano, e não máquina; e com a consciência de que, a verdade, o bem e a beleza, não necessitam de viralização; mas apenas de viver.
Continua!
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